O CHAIA é uma unidade de I&D dedicada à produção e disseminação de conhecimento nas áreas das Artes, Humanidades e Património Cultural, pelo que reúne investigadores, artistas e criadores de diferentes campos científicos e artísticos, que se distribuem por diversos grupos de investigação:

Arqueologia *

A linha de investigação em Arqueologia reúne especialistas em arqueologia pré‑histórica e romana do sul da Península Ibérica, com foco em megalitismo, arte rupestre, vilas romanas e paisagens antigas; combina investigação de campo (escavações e métodos não invasivos) com análise de materiais e tecnologias digitais para documentar, interpretar e reconstruir contextos passados. Para além da investigação científica, o grupo desenvolve projetos de valorização do património arqueológico como recurso estratégico para os territórios do interior, promovendo a ligação entre património, comunidades e desenvolvimento sustentável. Em colaboração com entidades públicas, museus e autarquias, os investigadores atuam nas áreas da preservação, conservação e valorização do património cultural, da participação comunitária nos processos de construção identitária, da aplicação de tecnologias digitais à salvaguarda da memória e do estudo de paisagens e técnicas construtivas tradicionais com potencial para a sustentabilidade ambiental contemporânea. O grupo assegura ainda apoio científico avançado à formação doutoral em Arqueologia.

Investigadores Integrados *

André Carneiro (até final de 2025)
Gertrudes Branco (até final de 2025)
Jorge de Oliveira (até final de 2025)
Leonor Rocha (Coordenador) (até final de 2025)
Nelson Carvalho Almeida (até final de 2025)
Nelson Oliveira Almeida (até final de 2025)

Arquitetura

A linha de investigação em Arquitetura desenvolve investigação crítica e interdisciplinar sobre arquitetura, cidade, território e património, articulando teoria, prática projetual e inovação tecnológica. Distingue-se pela investigação dedicada ao estudo e valorização do património arquitetónico moderno, com especial destaque para a obra de Álvaro Siza Vieira, promovendo a sensibilização pública para a sua relevância cultural e patrimonial.

Paralelamente, desenvolve pesquisa sobre recuperação de materiais, técnicas construtivas e tipologias arquitetónicas tradicionais, explorando o seu potencial para a eficiência climática e sustentabilidade da arquitetura contemporânea através da adaptação de edifícios históricos a novos usos, contribuindo para a preservação e revitalização do património edificado.

Através de uma forte articulação entre projeto, investigação e formação avançada, promove o ensaio projetual como instrumento de reflexão crítica e inovação, especialmente no âmbito do doutoramento em Arquitetura. As atividades abrangem ainda a participação das comunidades nos processos de valorização patrimonial, a aplicação de tecnologias digitais na preservação da memória e do património, a promoção da sustentabilidade climática através da arquitetura e do desenho urbano.

Artes Visuais

O Grupo de Investigação em Artes Visuais (GIAV) caracteriza-se pela prática artística como metodologia de produção de conhecimento, articulando criação contemporânea, crítica cultural e experimentação através de projetos que exploram o papel transformador das artes em três linhas principais:

  1. Artes Sociais e Participativas — promove, através da cocriação e da colaboração entre comunidades, artistas e organizações, a integração e transformação social, a sustentabilidade económica e a consciencialização para problemas de discriminação e exclusão, envolvendo grupos como pessoas imigrantes, idosas ou sobreviventes de violência doméstica.
  2. Arte, Memória e Pós-memória — explora o papel da arte na reflexão sobre memórias vividas e herdadas, investigando identidades, culturas, conflitos, resistência e trauma. Através da preservação e reinterpretação de patrimónios materiais e imateriais, recria tradições, saberes e imaginários culturais, evitando o seu desaparecimento e produzindo novos significados sobre o mundo.
  3. Arte, Tecnologia e Pensamento — dedica-se à investigação de tecnologias, conceitos e linguagens na arte contemporânea através da criação artística, promovendo diálogos transdisciplinares sobre o papel da arte e da tecnologia na sociedade atual. Entre os temas abordados destacam-se a Inteligência Artificial, as tecnologias imersivas e interativas e a preservação de saberes técnicos tradicionais.

Design

A linha de investigação em Design desenvolve investigação aplicada e transdisciplinar orientada para os desafios contemporâneos da sustentabilidade e regeneração, da inovação e da transformação cultural, digital e social. Estrutura-se na articulação entre Design de Produto e Design de Comunicação, promovendo abordagens sistémicas que integram meio-ambiente, sociedade, economia e cultura através de metodologias colaborativas e processos de co-criação envolvendo comunidades, instituições e stakeholders estratégicos.

A linha promove a integração entre investigação, ensino e transferência de conhecimento, incentivando redes de colaboração nacionais e internacionais e fomentando a aproximação entre academia, tecido empresarial, instituições culturais e sociedade civil. A linha assume assim o design enquanto campo expandido de investigação e ação crítica, capaz de responder de forma ética, inovadora e transformadora à complexidade dos desafios emergentes da contemporaneidade.

Estudos de Teatro e Performance


A linha de Estudos de Teatro e Performance desenvolve a sua atividade em torno do potencial das artes performativas como instrumentos de reflexão crítica, sensibilização social e valorização patrimonial, destacando-se pela relação entre artes performativas, comunidade e território. Investiga práticas performativas e participativas que articulam criação artística, investigação e intervenção comunitária, com especial enfoque no teatro comunitário, teatro de marionetas e metodologias participativas orientadas para a promoção da coesão social, da justiça intergeracional e da inclusão.

A sua investigação explora o teatro e a performatividade enquanto meios de consciencialização para questões de sustentabilidade ambiental, crise climática e discriminação social, bem como formas de preservação, interpretação e valorização do património. Paralelamente, desenvolve trabalho de reflexão teórica e crítica sobre o teatro e a performatividade enquanto campos de investigação artística, promovendo também o debate em torno da memória coletiva e pós-memória.

História da Arte


A linha de investigação em História da Arte dedica‑se ao estudo e valorização do património material e digital, desenvolvendo projetos de recreação virtual urbana que usam tecnologias digitais para preservar, interpretar e comunicar realidades históricas desaparecidas; promove a investigação teórica sobre património e a noção de “conservação criativa”, integrando história da arte, conservação e práticas artísticas para recuperar memórias e coleções contemporâneas.

Trabalha também em áreas especializadas — azulejaria, retrato miniatura, pintura portuguesa dos séculos XVI–XVII e conservação de papel e fotografia — e aposta na interdisciplinaridade e na participação comunitária para a classificação, conservação e divulgação do património, além de prestar apoio científico à formação doutoral em História de Arte. A linha privilegia abordagens críticas e transversais, promovendo o diálogo entre historiografia, curadoria, conservação, arquivos e práticas artísticas atuais, frequentemente em articulação com museus e redes internacionais de investigação.

Paisagem

Partindo do conceito operativo de paisagem – entendida como uma arquitetura, resultante de um sistema dinâmico evolutivo, no tempo e no espaço, onde se cruzam sistemas complexos naturais, ecológicos, culturais, económicos e emocionais –, a nossa investigação procura contribuir para a definição de políticas públicas de desenho, gestão e conservação da paisagem. 

Neste contexto, a representação da paisagem afirma-se como uma ferramenta fundamental de leitura e experimentação, onde se cruza a arte e a ciência. Funcionando como um espelho da relação da humanidade – nas suas vertentes económicas, sociais, éticas e estéticas, com sistemas naturais, vivos ou inertes – a investigação em paisagem, assente na dimensão ecológica, cultural, histórica e estética, abre novos caminhos para as políticas e práticas de gestão e conservação do património.

O património, muitas vezes olhado como uma realidade estática, adquire, na sua extensão paisagística, uma dimensão de transformação e evolução que define a sua própria ontologia: uma materialidade em constante devir, onde o presente é, simultaneamente, passado e futuro. Esta perspetiva constitui o núcleo da nossa investigação, quer na (re)definição do conceito de património, quer na inovação das práticas da sua gestão, conservação e manutenção, assim como laboratório para o futuro.

* grupo de investigação existente e investigadores associados até 2025