O CHAIA é uma unidade de I&D dedicada à produção e disseminação de conhecimento nas áreas das Artes, Humanidades e Património Cultural, pelo que reúne investigadores, artistas e criadores de diferentes campos científicos e artísticos, que se distribuem por diversos grupos de investigação:
Arqueologia *
A linha de investigação em Arqueologia reúne especialistas em arqueologia pré‑histórica e romana do sul da Península Ibérica, com foco em megalitismo, arte rupestre, vilas romanas e paisagens antigas; combina investigação de campo (escavações e métodos não invasivos) com análise de materiais e tecnologias digitais para documentar, interpretar e reconstruir contextos passados. Para além da investigação científica, o grupo desenvolve projetos de valorização do património arqueológico como recurso estratégico para os territórios do interior, promovendo a ligação entre património, comunidades e desenvolvimento sustentável. Em colaboração com entidades públicas, museus e autarquias, os investigadores atuam nas áreas da preservação, conservação e valorização do património cultural, da participação comunitária nos processos de construção identitária, da aplicação de tecnologias digitais à salvaguarda da memória e do estudo de paisagens e técnicas construtivas tradicionais com potencial para a sustentabilidade ambiental contemporânea. O grupo assegura ainda apoio científico avançado à formação doutoral em Arqueologia.
Investigadores Integrados *
Arquitetura
A linha de investigação em Arquitetura desenvolve investigação crítica e interdisciplinar sobre arquitetura, cidade, território e património, articulando teoria, prática projetual e inovação tecnológica. Distingue-se pela investigação dedicada ao estudo e valorização do património arquitetónico moderno, com especial destaque para a obra de Álvaro Siza Vieira, promovendo a sensibilização pública para a sua relevância cultural e patrimonial.
Paralelamente, desenvolve pesquisa sobre recuperação de materiais, técnicas construtivas e tipologias arquitetónicas tradicionais, explorando o seu potencial para a eficiência climática e sustentabilidade da arquitetura contemporânea através da adaptação de edifícios históricos a novos usos, contribuindo para a preservação e revitalização do património edificado.
Através de uma forte articulação entre projeto, investigação e formação avançada, promove o ensaio projetual como instrumento de reflexão crítica e inovação, especialmente no âmbito do doutoramento em Arquitetura. As atividades abrangem ainda a participação das comunidades nos processos de valorização patrimonial, a aplicação de tecnologias digitais na preservação da memória e do património, a promoção da sustentabilidade climática através da arquitetura e do desenho urbano.
Artes Visuais
O Grupo de Investigação em Artes Visuais (GIAV) caracteriza-se pela prática artística como metodologia de produção de conhecimento, articulando criação contemporânea, crítica cultural e experimentação através de projetos que exploram o papel transformador das artes em três linhas principais:
- Artes Sociais e Participativas — promove, através da cocriação e da colaboração entre comunidades, artistas e organizações, a integração e transformação social, a sustentabilidade económica e a consciencialização para problemas de discriminação e exclusão, envolvendo grupos como pessoas imigrantes, idosas ou sobreviventes de violência doméstica.
- Arte, Memória e Pós-memória — explora o papel da arte na reflexão sobre memórias vividas e herdadas, investigando identidades, culturas, conflitos, resistência e trauma. Através da preservação e reinterpretação de patrimónios materiais e imateriais, recria tradições, saberes e imaginários culturais, evitando o seu desaparecimento e produzindo novos significados sobre o mundo.
- Arte, Tecnologia e Pensamento — dedica-se à investigação de tecnologias, conceitos e linguagens na arte contemporânea através da criação artística, promovendo diálogos transdisciplinares sobre o papel da arte e da tecnologia na sociedade atual. Entre os temas abordados destacam-se a Inteligência Artificial, as tecnologias imersivas e interativas e a preservação de saberes técnicos tradicionais.
Design
A linha de investigação em Design desenvolve investigação aplicada e transdisciplinar orientada para os desafios contemporâneos da sustentabilidade e regeneração, da inovação e da transformação cultural, digital e social. Estrutura-se na articulação entre Design de Produto e Design de Comunicação, promovendo abordagens sistémicas que integram meio-ambiente, sociedade, economia e cultura através de metodologias colaborativas e processos de co-criação envolvendo comunidades, instituições e stakeholders estratégicos.
A linha promove a integração entre investigação, ensino e transferência de conhecimento, incentivando redes de colaboração nacionais e internacionais e fomentando a aproximação entre academia, tecido empresarial, instituições culturais e sociedade civil. A linha assume assim o design enquanto campo expandido de investigação e ação crítica, capaz de responder de forma ética, inovadora e transformadora à complexidade dos desafios emergentes da contemporaneidade.
Investigadores Integrados
Estudos de Teatro e Performance
A linha de Estudos de Teatro e Performance desenvolve a sua atividade em torno do potencial das artes performativas como instrumentos de reflexão crítica, sensibilização social e valorização patrimonial, destacando-se pela relação entre artes performativas, comunidade e território. Investiga práticas performativas e participativas que articulam criação artística, investigação e intervenção comunitária, com especial enfoque no teatro comunitário, teatro de marionetas e metodologias participativas orientadas para a promoção da coesão social, da justiça intergeracional e da inclusão.
A sua investigação explora o teatro e a performatividade enquanto meios de consciencialização para questões de sustentabilidade ambiental, crise climática e discriminação social, bem como formas de preservação, interpretação e valorização do património. Paralelamente, desenvolve trabalho de reflexão teórica e crítica sobre o teatro e a performatividade enquanto campos de investigação artística, promovendo também o debate em torno da memória coletiva e pós-memória.
História da Arte
A linha de investigação em História da Arte dedica‑se ao estudo e valorização do património material e digital, desenvolvendo projetos de recreação virtual urbana que usam tecnologias digitais para preservar, interpretar e comunicar realidades históricas desaparecidas; promove a investigação teórica sobre património e a noção de “conservação criativa”, integrando história da arte, conservação e práticas artísticas para recuperar memórias e coleções contemporâneas.
Trabalha também em áreas especializadas — azulejaria, retrato miniatura, pintura portuguesa dos séculos XVI–XVII e conservação de papel e fotografia — e aposta na interdisciplinaridade e na participação comunitária para a classificação, conservação e divulgação do património, além de prestar apoio científico à formação doutoral em História de Arte. A linha privilegia abordagens críticas e transversais, promovendo o diálogo entre historiografia, curadoria, conservação, arquivos e práticas artísticas atuais, frequentemente em articulação com museus e redes internacionais de investigação.
Paisagem
Partindo do conceito operativo de paisagem – entendida como uma arquitetura, resultante de um sistema dinâmico evolutivo, no tempo e no espaço, onde se cruzam sistemas complexos naturais, ecológicos, culturais, económicos e emocionais –, a nossa investigação procura contribuir para a definição de políticas públicas de desenho, gestão e conservação da paisagem.
Neste contexto, a representação da paisagem afirma-se como uma ferramenta fundamental de leitura e experimentação, onde se cruza a arte e a ciência. Funcionando como um espelho da relação da humanidade – nas suas vertentes económicas, sociais, éticas e estéticas, com sistemas naturais, vivos ou inertes – a investigação em paisagem, assente na dimensão ecológica, cultural, histórica e estética, abre novos caminhos para as políticas e práticas de gestão e conservação do património.
O património, muitas vezes olhado como uma realidade estática, adquire, na sua extensão paisagística, uma dimensão de transformação e evolução que define a sua própria ontologia: uma materialidade em constante devir, onde o presente é, simultaneamente, passado e futuro. Esta perspetiva constitui o núcleo da nossa investigação, quer na (re)definição do conceito de património, quer na inovação das práticas da sua gestão, conservação e manutenção, assim como laboratório para o futuro.
* grupo de investigação existente e investigadores associados até 2025
